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sábado, 12 de abril de 2014

UM POUCO DE HISTÓRIA DAS ARTES PLÁSTICAS E DE SUA TEORIZAÇÃO



Há uma longa história das artes plásticas e de sua teorização. A história da pintura lugar proeminente, mas não tanto a história de sua teorização.Quando a literatura ainda não existia e nem sequer se estabelecera o alfabeto, o homem já exercia a pintura com desembaraço. Deveria, já então, haver teorias, que funcionavam entre os pintores, embora não houvessem sido ainda passadas à forma de tratados sobre a pintura.Da história da teorização estética da pintura se pergunta agora. Oportunamente, a propósito do estilo, se abordarão mais situações históricas da mesma arte da pintura .

Mais cedo evoluiu a teorização da arte da linguagem que a das outras. Na antiguidade grega não se encontra a teorização sistemática da pintura, nas proporções como Aristóteles escrevia tratados sobre retórica e poética, ou como Vitrúvio discorreu sobre a arquitetura.A arte da pintura, mais que as outras artes, depende da viva capacidade visual do artista, que das peculiaridades inteletualizantes requeridas pela adiantada expressão em letras, arquitetura e música. A situação continua, hoje, com as mesmas dificuldades antigas. Geralmente os que tratam teoricamente de estética da pintura, não conseguem ir muito além do arrolamento concreto das criações artísticas.Os pintores efetivos se situam no plano concreto das obras da pintura, não muito sabendo como subir aos conceitos da arte em geral. É que a pintura consegue funcionar autônoma, sem aliar-se às outras artes; cria, então, um mundo próprio, em que até a linguagem usualmente é apenas sua. As outras artes, como a música e a literatura, andam geralmente de mãos dadas e por isso se desenvolvem com padrões similares. No canto, une-se a poesia literária à música; os mesmos nomes que denominam as composições poéticas, transitam geralmente para as denominações musicais, pois dizemos hino para uma certa composição de versos e também para um certo canto.A arte mais próxima da pintura é a das formas, notadamente da escultura. Em conjunto chamam-se artes plásticas. Não obstante já ia adiantada a escultura, e os pintores ainda não sabiam pintar o olho senão de frente. A rigor, esta questão é ainda de formas. A pintura é instrumentalização da cor. A teorização visando a cor em si mesma é muito tardia.Com os recursos eletrônicos, a cor e as formas puderam aliar-se mais de perto com as demais artes, - muito mais do que no passado permitia o teatro, - e assim a linguagem das artes tende a se unificar, bem como sua teorização.

Os primeiros breves ensaios expositivos sobre a pintura já apareceram na antiguidade grega e romana.Do período pré-socrático sobram apenas fragmentos teóricos sobre as artes plásticas, e que são contudo alusões apreciáveis. O filósofo Empédocles (c. 490-435 a. C.) opinou, que o quadro tem valor estético, porque, pela graça e harmonia, deleita a vista: "Assim, os pintores fazem ressaltar melhor os desenhos, nos quadros dedicados aos deuses, graças às cores variadas; escolhem pinturas multicores, as misturas de maneira harmoniosa, tomando de uma algo mais, de outra algo menos, e fazem desta maneira quadros que se assemelham a tudo quanto existe" (Frag. 23 H. Diels). Mais uma referência de Empédocles sobre a pintura se encontra no fragmento 71. Repetem-se as referências à pintura em Anaxágoras (frag. 4), como ainda no sofista Górgias e no sábio atomista Demócrito. Igualmente Sófocles (496-406), poeta trágico, se referiu às relações entre a expressão poética e a pintura, para dizer que a poesia atende a perspectivas, ao passo que a expressão em cor se orienta para a realidade visual integral.O problema destas relações poéticas será mais tarde objeto de discussão por parte de G. E. Lessing (Lacoonte, 1766) e Ed. Mueller (Geschichte der Theorie der Kunst bei den Alten, Breslau, 1834). Platão (427-347 a. C.) discutiu a legitimidade da pintura, a qual teve em pouca conta, porque no seu entender seria apenas um simulacro das coisas, cuja verdade estaria nos arquétipos eternos (Fedro, 276 e República 601).Em tratando das sensações esclareceu sobre as cores, tentando uma classificação (Timeu, 67c-68 d). Ocupou-se com a técnica de criar o relevo (skiagrafia) na pintura (República 523 b e outros lugares). O grande Aristóteles 384-322 a. C.), que deu amplo desenvolvimento à estética da linguagem, ocupou-se menos com as artes plásticas; nestas, menos com a pintura do que com a escultura. Insistindo sobre a proporção das formas, advertiu para a maior beleza das coisas grandes, que das pequenas; o princípio, efetivamente é válido e logo passou a se realizar no período helênico-romano, com a grandiloquência da urbanística e da arquitetura, da escultura e finalmente da pintura.Aristóteles ainda se ocupou com a perspectiva ilusionista da pintura; nela atribui ao sombreado um papel especial; mas não se pronunciou contra ela com as raivas da filosofia dualista de Platão. Também afirmou que a pintura dispensa da exatidão demasiadamente meticulosa e que a poderia até prejudicar (Retórica, III, 12, 1414 a). Entretanto, sua teoria das cores é menos exaustiva que a de Platão.Contudo, classificou Aristóteles sete cores principais, à maneira das sete notas da escala musical. Distinguiu entre cores harmônicas e desarmônicas (De sens.3,349 b). Durante o período helênico-romano continuam as pequenas referências à pintura e às cores.Ao lado destas poucas informações gregas, com a validade de serem as primeiras da história, também restam alguns quadros antigos da mesma, revelando sobre os respectivos estilos (vd 790).


Giotto di Bondone ´O beijo de Judas


No fim da Idade Média e Renascença a teorização da pintura e, de um modo geral, das cores recebeu novos desenvolvimentos.Progrediu sobretudo com o advento do humanismo e a renovação do espírito clássico.No início deste novo movimento está o florentino Giotto (1266-1337) (vd 833), que deu fisionomia própria à pintura ocidental, libertando-a da tradição linearista bizantina, para lhe devolver o humano.A Renascença, através dos pintores da escola flamenga, introduziu a pintura com tinta a óleo (vd 143). Restabeleceu a arte clássica, e criou, por assim dizer, um novo tempo para pintura, tanto no sentido teórico, como no de sua criação.

A definitiva ciência da cor é moderna. Os descobrimentos sobre a cor foram conseguidos sobretudo a partir do físico e filósofo inglês Isaac Newton (1643-1727), com suas investigações sobre a composição da luz e disco das cores.Goethe (1749-1832), ainda contando parcos recursos modernos, já escreveu uma obra apreciável, o seu Farbenlehre (Teoria da cor).A "estrela de Goethe" (vd 185) é a organização das cores fundamentais sobre as pontas de ângulo de um triângulo (azul, amarelo, vermelho), sobrepondo-se as cores secundárias (laranja, verde, violeta), sobre as pontas de ângulo de um outro triângulo. A sobreposição dos triângulos resultou na estrela de seis pontas. Nova organização cromática, em forma de pirâmide, com classificação ampla de todas as cores, foi tentado em 1772 pelo físico Lambert.Em 1823, Chevreul fez uma disposição radial.Em 1878, Hering organizou as cores a partir de um triângulo, subdividido em quadros, a que Osvald dará novos desenvolvimentos.Albert H. Munsell, americano, em 1912, estabeleceu uma classificação bastante prática e convincente (vd 186).

Revolução na estética das cores. Também os conceitos de estética das cores tomaram novos desenvolvimentos nos tempos modernos, sobretudo depois da revolução industrial e do sucesso dos recursos eletrônicos.A pintura moderna é algo notoriamente novo, regendo-se por uma conceituação revolucionária. E assim também as aplicações da cor nos objetos industriais e nos edifícios, particularmente nos recintos interiores, é algo que não possui precedentes do ponto de vista da conceituação.Recursos técnicos eletrônicos permitiram o uso das cores fora das telas tradicionais. Assim um novo tempo se abriu para a estética das cores. Criou-se uma rica literatura sobre as cores e suas aplicações na expressão artística.

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